Depois de um pé na bunda, você não sabe, simplesmente não sabe, que lembrança restará, de você, de vocês, Só velhas histórias
Depois de um pé na bunda, não tem como adivinhar que pensamento vai seguir você, vocês e tudo que podia ser, Só projeções
Depois de um pé na bunda, não existe razão porque você escolheu ser feliz, e no seu caso, meio copo cheio e um coração meio vazio, Só uma dose dupla pra tomar
Depois de um pé na bunda, não é você não quem diz se serão 2 dias ou 2 anos pra esquecer, só o tempo
Depois de um pé na bunda, você se perderá um pouco, mas a verdade é que nunca se encontrou, só em alguns momentos
Depois de um pé na bunda, vai dizer "foi melhor assim", mas você sabe que a melhor resposta sempre nasce 5 minutos depois, só acostume-se
Depois de um pé na bunda, vai desejar nunca mais amar ninguém, mas fique ciente que seu desejo pode se realizar, só uma realidade pra conviver
Depois...
Fique tranquila, porque amor próprio não vai te faltar.
quinta-feira, 6 de abril de 2017
quinta-feira, 30 de março de 2017
POR QUE EU ESCREVO?
Sempre escrevi para me esvaziar;
para tomar por inteiro frases dissonantes que voam como páginas soltas na minha cabeça;
para começar um diálogo reticente com perguntas que só o tempo, um dia, poderá dar alternativas, mas nunca um veredicto permanente;
para me olhar e perceber quem me tornei e como o passar dos dias, as experiências que vivi e as pessoas que conheci me afetaram, me transformaram – concedendo-me uma força que jamais imaginei ter, despertando em mim um racionalismo cada vez mais descrente de encontrar humanidade em gestos simples, como apreço e consideração em forma de resposta;
para não surtar com o peso do tempo, que escorre entre os dedos e deixa marcas nas curvas dos olhos, que revela quão impotente sou, mesmo sendo senhora do meu destino, dona do meu nariz e Khaleesi da minha casa há mais de 7 anos;
para não precisar de remédio faixa preta, de florais, de yoga, terapia ou qualquer alternativa paliativa que tenha o objetivo de domar com passos esse meu caminhar insano, mas nobre aos olhos alheios;
para não pegar o telefone e conjugar o verbo “sentir”, um intransitivo mais-que-imperfeito que vem se surpreendendo com meu talento de bloquear na mente, e onde for preciso, tudo que possa tocar em velhas feridas, sem necessidade;
para desconhecer-me e esquecer essa minha eterna mania de traçar linhas, ordem e planos para tudo. Afinal, existe um certo charme e evolução na desordem, nos fatos fora da curva e na assimetria que guia a geografia do meu caminho;
para, antes de tudo, criar uma conexão com você, que está me lendo agora e que com essas palavras vai criar uma nova resenha/perspectiva sobre mim. Grazie!
para tomar por inteiro frases dissonantes que voam como páginas soltas na minha cabeça;
para começar um diálogo reticente com perguntas que só o tempo, um dia, poderá dar alternativas, mas nunca um veredicto permanente;
para me olhar e perceber quem me tornei e como o passar dos dias, as experiências que vivi e as pessoas que conheci me afetaram, me transformaram – concedendo-me uma força que jamais imaginei ter, despertando em mim um racionalismo cada vez mais descrente de encontrar humanidade em gestos simples, como apreço e consideração em forma de resposta;
para não surtar com o peso do tempo, que escorre entre os dedos e deixa marcas nas curvas dos olhos, que revela quão impotente sou, mesmo sendo senhora do meu destino, dona do meu nariz e Khaleesi da minha casa há mais de 7 anos;
para não precisar de remédio faixa preta, de florais, de yoga, terapia ou qualquer alternativa paliativa que tenha o objetivo de domar com passos esse meu caminhar insano, mas nobre aos olhos alheios;
para não pegar o telefone e conjugar o verbo “sentir”, um intransitivo mais-que-imperfeito que vem se surpreendendo com meu talento de bloquear na mente, e onde for preciso, tudo que possa tocar em velhas feridas, sem necessidade;
para desconhecer-me e esquecer essa minha eterna mania de traçar linhas, ordem e planos para tudo. Afinal, existe um certo charme e evolução na desordem, nos fatos fora da curva e na assimetria que guia a geografia do meu caminho;
para, antes de tudo, criar uma conexão com você, que está me lendo agora e que com essas palavras vai criar uma nova resenha/perspectiva sobre mim. Grazie!
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
PÁGINA VIRADA
Chega a doer,
Silêncio na escuridão,
Abraço perdido no tempo.
Chega a doer,
Dias desperdiçados,
Orgulho fadado,
Egoísmo calculista,
Inocência displicente.
Chega a doer
Saber que já não dói mais,
Fique sabendo
Você é página virada
Nessa minha série chamada
Amor não correspondido
Amor não correspondido
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
AQUELE QUE FALO COM DEUS
Hora do ócio, mas a mente não para de pensar, de viajar, de ser palavra. E por conta dessa sua eterna inquisição, deixo de abrir os sites da Amazon, La Republica e G1, para escancarar o word e encher a página branca. Uma tentativa vã de me esvaziar, de parar de ouvir frases, respostas para mensagens revisadas com mais empoderamento para meus sentimentos, versos soltos – que ganham brilho ao som de Norah Jones, Amy, Dido, Diana Krall, Elisa – vozes que me acalmam durante esse encarnar.
Da tela branca eu pulo para o bloco de notas no celular, não tão atraente quanto o analógico, que mora na minha cabeceira com a missão de me salvar de noites insones: cheias de ansiosos parágrafos escritos pela alma. Alguns, às vezes doem a cada ponto e vírgula, mas é essencial traduzir-me, mesmo que não faça sentido e os lampejos voem soltos em busca de uma rima que justifique sua existência.
Se o mar de sinônimos resolve me visitar sem convite, eu procuro ignorar, ligo a tv, vejo 1 ou 2 episódios de Supernatural, como uma fruta, lavo a louça e leio um capítulo de “Cem Anos de Solidão”. Mas de depois de tudo isso, se eu não deixar de ter essas sintaxes, eu apenas ajoelho e rezo.
“Ciao, Dio! Antes de começar, eu queria agradecer por hoje: pela saúde, proteção e alegria da minha família, amigos e conhecidos. Te chamei a essa hora da madrugada, porque não consigo parar – de escrever textos inteiros dentro de mim. Preciso dormir, amanhã é preto na folhinha, não posso chegar com a cara de um zumbi de The Walking Dead. Tá certo que já tenho cara de Vandinha por natureza. Rsrs. Dai-me paz e serenidade, Por favor...Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino.Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.Amém!”
Sempre funciona. Tanto que me pergunto: Por que não rezei antes de tentar a tv, o livro e a música? Não sei. Talvez seja teimosia, talvez vergonha de recorrer aos céus essa minha redundante desorientação para criar concordância entre o que o corpo precisa e as coisas do coração.
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
AQUELE DOS 40% DE ASPERGER
No final de 2015, eu fiz um teste
despretensioso que mostrou que tenho traços da Síndrome de Asperger. Mas
confesso que não levei à sério. E, em poucas horas já tinha abstraído. Mais por
uma questão de me considerar “normal” para tal diagnóstico, que por não aceitar
ser tão peculiar.
O que eu não sabia é que passei a vida
inteira como tímida, quieta, retraída e introvertida, papéis que eu não deveria
ter aceitado representar sem contestar. Ou gritar para alguém: Eu não sou tímida!
Apenas prefiro ficar sozinha, no meu mundo ou com a minha família e com os
amigos, que conto com os dedos de uma só mão, em casa, lendo, ouvindo música,
escrevendo ou assistindo filmes no cinema (meu programa preferido).
Mas com o passar do tempo, o quebra-cabeça que sempre tentei montar para começar a entender: a minha maneira de enxergar o mundo e outros; de me dedicar à temas específicos e super segmentados e de interagir, especialmente quando o assunto é amor (cheia de estratagemas - como a personagem Amélie), começou a se encaixar com os 40% do teste.
Mas com o passar do tempo, o quebra-cabeça que sempre tentei montar para começar a entender: a minha maneira de enxergar o mundo e outros; de me dedicar à temas específicos e super segmentados e de interagir, especialmente quando o assunto é amor (cheia de estratagemas - como a personagem Amélie), começou a se encaixar com os 40% do teste.
Peça após peça, fui tomando consciência de sintomas corriqueiros – que não me limitam (quem me conhece, sabe), mas justificam e me fazem compreender e aprender sobre os desafios comportamentais e emocionais – que busco reconhecer, para evoluir e levar uma vida mais feliz. Porque normal nunca será.
O status de peculiar sempre irá me acompanhar – através de pequenas sutilezas, como tapar os ouvidos – para evitar ouvir pessoas no corredor do meu prédio falarem da nova vizinha (no caso, eu); TOC de conferir porta, gás, ferro e agenda (com repetição de 3); ficar sem palavras em conversas triviais com quem não me sinto à vontade; me sentir desconfortável em aglomerações (happy hours, aniversários, etc) – para não falar dos silêncios.
No momento em que escrevo esse texto/desabafo, cenas de “Tão Forte e Tão Perto” (Drama Asperger com Sandra Bullock e Tom Hanks) passeiam por minhas lembranças em um movimento contínuo. Foi um filme que me marcou pela profundidade e pela porção que fez pensar, me identificar – com a angústia, mas também, com a delicadeza.
Agora, espero (ansiosamente) por dois livros que vão abrir minha mente (um pouco mais) pra esse re-conhecer. São eles: "O poder dos quietos", de Susan Cain e "O que me faz pular", de Naoki Higashida. E, sei que muita coisa me espera.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
TEORIA GERAL DO ESQUECIMENTO
Peguei esse título emprestado de um livro do José Eduardo Agualusa, que acabei de encomendar. Há tempos o namorava na tela do computador, evitando negligenciar a promessa que fiz de não comprar mais livros até terminar a fila de doze que me aguarda em casa. Hoje, eu não resisti. Ao lembrar das palavras de Agualusa sobre a arte de esquecer, na Paulicéia Literária de 2015 e também, ao descobrir que a história foi baseada em um drama real, eu não pensei duas vezes. Saquei o cartão e aproveitei para pedir também “O poder dos Quietos”, de Susan Cain.
Agora,
eu troco a negligência por ansiedade, para vencer os sete dias de espera. Até
lá, me contentarei em imaginar os detalhes dessa história que parece ter talento
para transformar e transtornar o
pensamento, com sutilezas que a vida moderna já não conhece mais. Ou finge, por
reconhecer que, dia após dia, vem se tornando um sinônimo torto para a palavra
efêmera.
A
justificativa de bolso é sempre a mesma: as novas tecnologias. Mas, podemos
notar que essa transformação vai muito além de gadgets na palma mão. Eles
apenas deram voz – para informações, boas ideias, novos pesares e também,
idiotas de plantão, que preferem reforçar que muitos não estavam preparados
para o século XXI.
E, apesar
de muitos duvidarem, essas sutilezas são as páginas que sustentam a nossa
capacidade de guardar, suportar ou de esquecer o rumo do texto, os momentos, as
dores e as pessoas que interferem na geografia de nossos caminhos.
Não existe tutorial, apenas dicas de quem já virou a página e seguiu em frente. Mas, somos
seres únicos. Isso significa que cada um escreverá, desenhará ou cantará sua
Teoria Geral do Esquecimento de um jeito diferente. A começar pela forma com a qual lidamos com o tempo, a tolerância e com que respeito e apreço enxergamos os
protagonistas e os coadjuvantes que moram em nossas histórias.
terça-feira, 30 de junho de 2015
EU, PALAVRA
No vazio. Cheio de nada. Nada além de abstrações profundas, daquelas que fazem a razão divagar por horas a fio questões sem respostas, como tempo, felicidade e realização. Me dei conta que só sei ser com palavra. Palavra escrita, traçada com geografia certa para transformar, representar e revelar o pensamento – seja ele sutil ou subliminar.
Como palavra, pontuo de maneira reticente todo olhar que lanço diante do outro, da percepção que o outro constrói sobre minha interação com o mundo e as coisas do coração. Sempre repletas de delicadeza quando o assunto é amor, amizade, apreço, saudade, angústia e ansiedade.
Ponto e vírgula; nasce uma sintaxe capaz de causar convulsão na alma, cansada de tanta espera, tanto porquê, tanta mania de buscar significado pra tudo que o corpo alcança com a mente, mas que desconhece com os dedos, tanto ranger de dentes ao perceber que nem tudo é como esperava, tanta pausa para refletir erros e ausências, tanto muro para frear a vontade (vista como insana) de amar quem o coração escolheu (há tempos – talvez já em outra vida).
Diante da página branca desenho mil concordâncias para me esvaziar desse vazio, que só se perde quando se faz assim, com palavras soltas, quase sem sentido aos olhos seus. Aos meus, são antigas. Já que antes foram escritas aqui dentro...<3
Uma redenção que
nasce de dentro para fora, de fora para dentro, num exercício de sobrevivência
capaz de calar demônios e o pranto que desagua na cia de um bom vinho tinto e
canções italianas que despertam “muiteza”, como diria o Chapeleiro Maluco.
Depois de palavra, só sou abstração.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
É TUDO SEU
É tudo seu, meu amor.
Esse corpo remendado por saudades e marcas que teimam em não sumir,
em não virar cicatriz tatuada sob a pele.
Esse coração meio vazio e meio cheio.
Vazio por sua ausência.
Cheio por lembranças e apegos.
Essa alma que clama pelo seu abraço, seu colo,
seu beijo, seu andar charmoso por entre as sombras, calada noite.
Os pensamentos...
Vem e vão [ao seu encontro] a cada 5 minutos.
E cada centímetro passou sussurrar por ti,
assim que me dei conta que era sua posse, sua morada, seu porto, sua fuga voraz: Amor.
Essas palavras...
Escrevo antes dentro de mim...
Todas em letras maiúsculas, na tentativa que sinta, veja e ouça [em alto e bom som] esse meu pulsar contínuo, minha vida.
É tudo seu, amore.
Vivimi.
Esse corpo remendado por saudades e marcas que teimam em não sumir,
em não virar cicatriz tatuada sob a pele.
Esse coração meio vazio e meio cheio.
Vazio por sua ausência.
Cheio por lembranças e apegos.
Essa alma que clama pelo seu abraço, seu colo,
seu beijo, seu andar charmoso por entre as sombras, calada noite.
Os pensamentos...
Vem e vão [ao seu encontro] a cada 5 minutos.
E cada centímetro passou sussurrar por ti,
assim que me dei conta que era sua posse, sua morada, seu porto, sua fuga voraz: Amor.
Essas palavras...
Escrevo antes dentro de mim...
Todas em letras maiúsculas, na tentativa que sinta, veja e ouça [em alto e bom som] esse meu pulsar contínuo, minha vida.
É tudo seu, amore.
Vivimi.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
AQUELE DO TESTAMENTO
A ideia do texto de hoje nasceu espontaneamente de uma conversa com uma amiga enquanto esperava o ônibus para o trabalho. Ela me zoou por querer programar nossa viagem para Uberaba no feriado de Carnaval, mesmo faltando duas semanas. “Nem sei se vou estar viva amanhã, Ju” ela disse. Dei risada, mas parei para pensar em minha ansiedade, vontade inútil de controlar o tempo e, principalmente, em minha existência: duração, sentido e intensidade.
Em segundos embarquei em uma viagem de dentro para dentro que me levou até o centro dessa inquietude chamada amanhã. Lá eu iniciei um passeio por saudades imensas, daquelas que chegam a doer e calar fundo o coração. Depois que a dor cessou com uma dose de esperança e intuição, eu visitei os desafetos, que felizmente são poucos. Desejei com todas as forças, ter ao meu lado pessoas queridas que estão tão tão distantes da minha geografia.
No final do tour me vi diante de um exercício mórbido, mas não menos divertido. O de desapegar de tesouros, objetos e apreços com um testamento que contava com uma cláusula irrevogável: Não será permitido aos beneficiários desfazerem dos artigos herdados, mesmo que estes sejam abstratos, como amor, respeito, carinho, admiração, cumplicidade e afinidade; ou simbólicos, como os álbuns da Norah Jones, os livros da Eliane Brum, o box de Friends e os filmes da Audrey Hepburn, Audrey Tautou e Juliette Binoche.
Comecei a leitura mental do testamento. O primeiro beneficiário, meu pai. À ele deixo um amor imenso, uma admiração que me deu forças para superar todas adversidades que apareceram no meu caminho. Deixo também toda minha coleção da Laura Pausini. Porque sei que ele cuidará bem e curtirá como ninguém.
Bem na hora que ia selecionar tudo que vou deixar para minha mãe, o ônibus parou diante de mim, por pouco não me atropela, dada a minha introspecção. Interrompi o exercício fúnebre para entrar, passar a catraca, escolher um lugar e abstrair até a hora de descer no ponto da Avenida Rebouças com a Rua Pinheiros. Mas a sensação de quase morte foi tamanha que esqueci de continuar com o lance da herança. O coração estava acelerado e eu, sem jeito, tentando disfarçar para os passageiros que me olhavam com preocupação, que estava tudo bem. É vida que segue, pra minha alegria.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
O FABULOSO APÊ DE AMÉLIE POULAIN
Você certamente assistiu ou já ouviu alguém falar de Amélie. Personagem amada por enxergar o mundo e as pessoas de maneira doce e bem particular, que também inspirou diversos universos. Dentre eles, o da moda, do design e de interiores – por unir simplicidade, charme e delicadeza com a presença marcante do vermelho, amarelo e verde.
A história de ‘O fabuloso destino de Amélie Poulain’ se passa em Montmartre, bairro de Paris, onde Amélie vive e trabalha como garçonete de um pequeno café, o Dois Moinhos. Um lugar repleto de histórias interessantes. Mas seu apartamento é a maior referência do filme.
O espaço é encantador, e cada cantinho revela traços de sua personalidade. O quarto vermelho é uma boa opção para quem não tem medo de cores vibrantes. Os quadrinhos com temas ‘fofos’ e a roupa de cama em amarelo e verde fazem contraste com o vermelho das paredes – tornando o ambiente mais romântico.
Apesar de o apê ser pequeno, Amélie encontrou um jeito criativo para cultivar uma hortinha em vasos.
Azulejos em amarelo e branco formam um xadrez no piso do banheiro, que conta ainda com peças delicadas, como a banheira e a cômoda.
A decoração, em geral, possui cores e conceitos intensos, mas o conjunto de contrastes deixam os espaços super aconchegantes. Inspire-se!
Texto composto para Benita Brasil: http://bit.ly/1eiOqr2
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
A POESIA VORAZ DE BJÖRK
Engana-se quem pensa que a poesia habita apenas as páginas de livros, os corações apaixonados, o ciclo da vida ou a ordem natural dos fatos. Ela também está presente na música, que se revela em versos cifrados por dores sustenidas. Mas nem sempre são dores. Acredite! Há também o amor, a beleza, a cor, a intensidade, o passar do tempo, a força do vento, o movimento da terra, a geografia, a arte. Elementos que Björk mistura e personifica com delicadeza.
A influente cantora, compositora e instrumentista islandesa – herdou dos pais o amor por sua terra natal e a personalidade intensa e ativista. Suas canções sempre vão além da fórmula: introdução, refrão e chorus. Rompem as fronteiras impostas pela rima, métrica e a rede semântica para que sua mensagem traduza mais que meias palavras.
A vencedora do Prêmio Nobel da Música remete enigma, tensão e angústia. Mas essa é apenas a primeira impressão. Para abandonar os rótulos é preciso conhecê-la. E para isso, é necessário ouvir sua voz com a mente aberta para o novo.
Em poucas palavras, ela faz diferente: arranjos, compassos e introduções – para que quem a ouve – sinta diferente. No vídeo Mutual Core, ela usa sinais poderosos da estrutura e mecânica da terra, como: terremotos, erupções, formação de cadeias de montanhas e continentes para falar da mutação das relações humanas – e transforma-os em som, arte e design.
Cenas de Mutual Core
Cenas de Mutual Core
Mutual Core: http://bit.ly/1jrZrWH
ll is full of Love: http://bit.ly/1jrYzkP
Army of me: http://bit.ly/1ctOyjL
Texto composto para Benita Brasil://bit.ly/1z46MZz
terça-feira, 16 de setembro de 2014
UM RIO CHAMADO TEMPO
Lanço-me no vazio altivo da página branca do Word para esvaziar-me um pouco. Mas antes, pego emprestado um título de Mia Couto para dar voz a esse reclame que reclama em mim, a vontade de irromper as fronteiras de meu ser para, enfim, ganhar outras tantas, além da minha geografia. Havia um bom tempo que não fazia isso: transformar-me em palavra escrita, assim sem pensar. Deixando apenas que a emoção exceda as curvas que a razão desenha para domar nossos passos, nossos desejos, e acima de tudo, nossos demônios.
Demorei-me. É verdade. Mas foi necessário. A alma clamava por calma para remendar-se, depois de tantos dias iguais. De um bem-querer tão grande e profundo que até Deus fez força para entender. De perder-me por um segundo e depois reencontrar-me em uma letra de música. De não reconhecer-me como palavra, como reflexo desnudo no olhar do outro, como conexão viva nessa capital com ares de babilônia. Muito menos, como parte da terra em que nasci. Percebia-me nômade. Intrusa assistia a tudo sem refletir o porquê dessa derradeira complacência. Não era protagonista, muito menos figurante. Fazia a vez de expectadora para entender o que o tempo pretendia comigo. Esperei.
Procrastinei. Eu confesso. Levei 3 dias para terminar esse texto. Escrevia uma linha, refletia duas. Voltava com backspace, compunha outras tantas. Mas insistia. Não sabia/entendia/enxergava, ao certo, esse ‘esvaziar’, sem uma boa dose de melancolia. Preferia que fosse alegre e cheio de constatações. Mas nem elas apareceram para morar em mim. Teriam feito toda a diferença nessa temporada introspectiva, deixando-a mais curta e objetiva e se possível, sábia. Rsrsrs.
O tempo se mostrou senhor de todos os destinos, impulsionando meus dedos sob as teclas, mesmo que arrastasse os pensamentos e perdesse o foco, vez ou outra. Ele queria, porque queria, ver-me como palavra, com acento e sinapse. Quanto mais que eu tentava fugir dessa ideia, minhas mãos agarravam-se ao teclado, como se estivessem algemadas. Então percebi que a teimosia era um recado tatuado nas profundezas de minh’alma. Ela pedia mais que atenção. Pedia delicadeza para olhar para dentro e perceber o que me é evidente. Tempo, tempo, tempo...
quarta-feira, 4 de junho de 2014
A VIDA EM SACOLAS
10 sacolas. Era tudo que Antonio tinha. 10 sacolas plásticas, mas não como essas frágeis sacolas brancas que dão no supermercado. Eram fortes, pois levavam toda uma vida. Eram negras, como piche do asfalto que repelia a vida e os passos de Antonio. Eram inteiras, pois não podiam deixar vazar tudo que Antonio tinha por buracos, por rasgos flácidos. Viviam umas dentro das outras. As 10 frágeis sustentavam o peso de outras 10 que vinham por dentro conservando com nós trançados com o cuidado de quem teme, devaneia e carrega o medo da violência nas esquinas dos olhos.
Eram 10. De longe parecia que eram mais. Multiplicavam-se com os passos largos e as buzinas. Um amontoado de coisa alguma para os olhares alheios, mas para os seus era tudo o que tinha. Era também sua trincheira. Seu mundo. Do qual ele nem ousava levantar os olhos. Sabia que poderia enxergar seu reflexo no outro. Uma vez refletido, ele existiria e insistiria em tirar sua paz, sua simplicidade – naquela noite, fria e voraz.
Sacolas empoeiradas pela ação vento e do tempo. Mas pelo tempo que faz dentro de Antonio do que faz além de sua trincheira negra, no ponto de ônibus da Consolação com a Paulista. Eram 10 os dedos que as carregavam com um esforço desastrado, trocando os passos com chinelos surrados e maiores que seus pés. Arrastava-se ao tentar levar tudo que tinha. Mas tudo que tinha o empurrava com brutalidade para a sarjeta.
Plásticas eram as embalagens que envolviam e livravam Antônio da loucura que o torna um conceito feio e desconexo na cidade que não para, mas atropela. Negras, como a noite que o ignora, o faz invisível.
Livros, algumas peças de roupas, sabonetes e uma toalha. Era tudo que tinha dentro das sacolas. Dentro de si, levava um sorriso abstrato pela falta de alguns dentes, mas isso era o de menos, perto da sua humildade. As 10 sacolas não seriam suficientes para carregá-la. Mas o coração deu conta do recado e tratou de levar também sua bondade e generosidade para com os companheiros andantes, que sempre aliviam o peso de suas sacolas e oferecem uma quentinha para encher o vazio da fome.
10 sacolas plásticas e 1 Antonio. 1 equação errada na ordem natural da vida. 1 retrato profundo e delicado para quem pode/sabe enxergar essas sutilezas que fazem de essepê uma Babel cheia de linhas tênues.
Eram 10. De longe parecia que eram mais. Multiplicavam-se com os passos largos e as buzinas. Um amontoado de coisa alguma para os olhares alheios, mas para os seus era tudo o que tinha. Era também sua trincheira. Seu mundo. Do qual ele nem ousava levantar os olhos. Sabia que poderia enxergar seu reflexo no outro. Uma vez refletido, ele existiria e insistiria em tirar sua paz, sua simplicidade – naquela noite, fria e voraz.
Sacolas empoeiradas pela ação vento e do tempo. Mas pelo tempo que faz dentro de Antonio do que faz além de sua trincheira negra, no ponto de ônibus da Consolação com a Paulista. Eram 10 os dedos que as carregavam com um esforço desastrado, trocando os passos com chinelos surrados e maiores que seus pés. Arrastava-se ao tentar levar tudo que tinha. Mas tudo que tinha o empurrava com brutalidade para a sarjeta.
Plásticas eram as embalagens que envolviam e livravam Antônio da loucura que o torna um conceito feio e desconexo na cidade que não para, mas atropela. Negras, como a noite que o ignora, o faz invisível.
Livros, algumas peças de roupas, sabonetes e uma toalha. Era tudo que tinha dentro das sacolas. Dentro de si, levava um sorriso abstrato pela falta de alguns dentes, mas isso era o de menos, perto da sua humildade. As 10 sacolas não seriam suficientes para carregá-la. Mas o coração deu conta do recado e tratou de levar também sua bondade e generosidade para com os companheiros andantes, que sempre aliviam o peso de suas sacolas e oferecem uma quentinha para encher o vazio da fome.
10 sacolas plásticas e 1 Antonio. 1 equação errada na ordem natural da vida. 1 retrato profundo e delicado para quem pode/sabe enxergar essas sutilezas que fazem de essepê uma Babel cheia de linhas tênues.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Até quando?
Pergunto-me em vão, diversas vezes, todos os dias. Sei que é sem razão. Porque com ela jamais perderia meu tempo tentando entender os confins e as facetas alheias com questões tão simples como respeito, educação e bom senso. Valores, que penso, deveriam vir de berço e perdurarem por toda vida. Já que são como rotas singulares da geografia de nosso caminho – enquanto pessoas, enquanto pessoas – humanas.
Divago por instante com a ajuda da minha concentração, por vezes, chamada de autista, dada sua profundidade – que na verdade não passa de uma viagem estimulada por boa música. Um filme passa diante dos meus olhos. O gênero? Horror. Meu horror. Sim, por muito tempo ele me acompanhou, especialmente, quando eu sofria bullying.
Um déjávu, eu penso. Não. Tudo está diferente. O mundo é outro, assim como as pessoas. O tema é melancólico, sim. Mas de fato gostaria que essa mudança tivesse sido para melhor. Não foi. Na semana passada eu estava no metrô quando um grupo de rolezeiros me transformaram em distração à base de chacota. É claro que ignorei, mas não deixei de me ofender.
Dois dias depois, me emocionei ao ler Malala no ônibus. Isso foi motivo suficiente para que um casal que estava de pé diante de mim - disparasse um riso insano. Me pergunto: até quando?
Até quando? Expor minha opinião – fundamentada em fatos e sentimentos será motivo de riso? Até quando as pessoas vão se dar o trabalho de cuidar da minha vida ao invés de focar em suas próprias imperfeições e problemas?
A resposta eu sei de cor: nunca. Pois basta existir para ser alvo de fofoca, inveja, piadinhas infames e de energia negativa. Desde que se nasce é assim. E depois que se morre a história continua. Mas, de vez em quando, só de vez em quando, gosto de pensar que as pessoas têm jeito, que ‘o mundo é bão, Sebastião’.
Uma visão romântica, para não dizer ingênua, que sempre me rendeu decepções – em todos os âmbitos. O jeito é me acostumar, abstrair e ‘ligar o foda-se’. É inútil se prender a pequenezas. Elas sempre vêm de gente de mente limitada. O mundo está cheio de gente assim. Mas também há espaço para os loucos, os puros e os românticos. Viva La Tua Vità.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
A MINHA PAZ
Às vésperas de completar 30 anos, me deparo com uma constatação simples, para não dizer banal. Não preciso de muito para ser/estar feliz. Basta apenas que eu esteja em paz. Um estado de espírito que em algumas situações foi uma ferramenta fundamental para que eu não desse um passo atrás - diante de tudo que havia conquistado - com muita teimosia, esforço e suor.
Sinto-me velha, não nego. Considero esse momento um dilema e uma ótima oportunidade para repensar tudo à minha volta. Planos, hábitos, posturas, pessoas e palavras. Cada uma delas. Sinônimos, adjetivos, pronomes – e ofensas. Afinal, elas são uma categoria à parte que faz por merecer a introspecção, o cuidado e porque não, o alerta de perigo e a balança na minha cabeça. Pesam bem mais que as outras. Também doem mais. Às vezes, nunca param de doer. São do tipo que entram pelos ouvidos com a configuração de looping infinito.
Estou pronta, eu penso. Mas paro, reflito e me pergunto: pra quê? Silencio. Sorrio e me respondo com palavras internas: pro que der e vier. Então a consciência assume o papel de grilo falante, assim como em ‘Pinóquio’. Fala em alto e bom som: você é a mesma menina que chegou aqui vislumbrada, a diferença que agora sabe onde mora a verdadeira delicadeza das coisas.
Olho para o nada. Viajo por alguns segundos – reparando as imperfeições do teto branco. Penso na contagem regressiva para o Natal e em tudo que quero fazer com a família durante as férias. Volto, mas sigo degustando as palavras que a consciência me lançou com esmero. Concluo. Ela tem toda razão.
Perco-me na geografia do meu caminho com alegria e ansiedade. Sei o que me espera. O que eu espero que esteja à minha espera daqui pra frente – inclusive as rugas que vão dando uma nova moldura para os meus olhos. Não quero perder nada. Cada detalhe, por menor que pareça aos olhos alheios, será importante hoje, amanhã e depois.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
MEUS HEROIS NÃO MORRERAM DE OVERDOSE
Pego emprestado um trecho de ‘Ideologia, canção de Cazuza, para colocar no papel as divagações que me distraíram hoje - no caminho de ida para o trabalho. Depois de abrir o ‘Menina Quebrada’ (Eliane Brum) e colocar ‘Quiet times’ (Dido) nos fones - eu mergulhei cada centímetro da minha introspecção em uma fantasia divertida de imaginar meu cotidiano diante de uma nova ótica. Uma em que eu tenho por perto pessoas que admiro à distância - dada sua importância, talento e fama.
Diferente dos herois dos meus amigos, os meus não morreram de overdose. Todos, ou quase todos, estão vivos, vivinhos da silva. Vivos e intrépidos entre a realidade e a fantasia. Concretos na dimensão de seus dons, abstratos no contato, insanos no processo criativo de suas obras, delicados com suas palavras, canções, cenas e sorrisos – sempre tão redentores.
Em questão de segundos, me vejo divagar e viajar para não muito longe dali, daquele banco de ônibus desconfortável e dolorido por rabiscos revoltados e declarações de amor escritas com um desleixo charmoso. Olho para o lado enquanto ergo a xícara de capuccino e avisto Eliane Brum se aproximar sorridente.
Ela traz consigo vários livros à tira colo. Dentre eles, deu para ver de longe, um dos seus próprios livros, o ‘Uma Duas’. Acenei. Ela logo me viu e veio ao meu encontro com um abraço. Sentou-se ao meu lado e começamos dividir amenidades sobre a Itália, o idioma, que agora ela segue se dedicando e, também seus próximos projetos. Sabê-los sempre me deixa ansiosa – por emergir, por evoluir no brilho de suas percepções.
Deixo-me ali conversado com a Eliane por horas a fio e levo outra parte de mim para encontrar outra heroína do meu fantástico mundo. Fecho os olhos, troco ‘No freedom’ (Dido) por ‘Con La musica Alla Radio’ (Laura Pausini). Sinto-me vendo, ouvindo e sendo parte de um espetáculo que espero há 20 anos para curtir. Logo essa fantasia real se tornará uma realidade fantástica. Laura realizará 2 shows no Brasil, em fevereiro de 2014, pela The Greatest Hits Tour, turnê que comemora os seus 20 anos de carreira.
O ônibus dá um tranco estranho. Fujo por alguns instantes da minha fantasia e me preocupo com a hora. Olho para o relógio e ainda tenho tempo, tempo para mais uma viagem insana. Então, ali pela janela riscada com estilete, eu me transporto para uma sala de cinema vip. O filme? A vida de outra mulher com Juliette Binoche. Filme que conta a história de uma mulher que, um certo dia, esquece os últimos 15 anos de sua vida e ainda vive um amor que já terminou.
Mais uma parada. Me atento, pois agora devo descer. Cheguei ao meu destino, ao meu trabalho. Onde fico até às 18h. Depois volto a viajar, fantasiar e levar meus outros eus para passearem como e onde sempre quis. E o melhor de tudo, na cia dos meus queridos herois e heroinas. A bagagem são os meus sonhos, planos e ideais. O transporte é a minha criatividade, que para minha surpresa, sempre me surpreende.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Como levar a vida leve?
Eu sempre tive essa dúvida. Mas de alguns anos pra cá ela ficou evidente. Virou um mantra, um disco furado em que a canção é a mesma, mas os refrões nunca se repetem dentro de mim. Mais uma dúvida, eu penso. Mais uma, reflito e sinto alívio. Mais uma, entre outras tantas sobre a arte e as dores de existir que guardo com esmero em minhas gavetas internas.
E todo dia era sempre igual. Ela me acompanhava no começo do dia durante o caminho para o trabalho e em seu fim, ao voltar para casa – mergulhada na inércia dos meus fones e olhar introspectivo pela janela do ônibus. Mas, nunca achava respostas que fossem além do famoso ‘foda-se’ e do prático desapego.
Um dia, inspirada pelas palavras da minha escritora favorita, decidi levar a dúvida para passear - por onde quer que eu fosse, e não somente na rotina corriqueira e apressada que se instala de segunda à sexta. Então, no domingo fui ao cinema com uma amiga. Nada cult, nada transformador. Um entretenimento, uma distração. Levei a dúvida. Ela veio, toda toda saltitante, mostrando que não tinha segredos para mim, bastava eu mudar o jeito de olha-la.
Atendi seu pedido e enxerguei a simplicidade presente em cada gesto meu e em toda palavra que pulava sem medo da minha boca. Saiam livres, leves e soltas. Não havia preocupação nenhuma em medi-las, ou projetar o pensamento pra tentar prever a reação dos outros, no caso, a outra, a minha amiga. Então, parei para pensar: “É, com ela não dá para fazer esse exercício. Ela sempre desperta o que há de melhor em mim. Com ela, não preciso trancar palavrões ou aversões antes de sair de casa”.
No caminho de volta, fiquei ali no metrô, me observando e então percebi. É assim que quero me sentir sempre. Leve. Talvez, algumas pessoas [sempre] terão o poder de potencializar essa sensação e outras de anular. Cabe a mim perceber e fugir quando ela, a leveza, estiver reprimida, e por isso, inibindo palavrões, ideias, aversões e expressões que podem soar como bobas ou infantis.
Para minha surpresa...Ela sempre esteve comigo. Sempre esteve por todos os lados em que andei, nos gestos e palavras de muitas pessoas que convivem comigo – com carinho e respeito. No olhar de tantas outras que não conheço, mas que todos os dias têm seus olhares capturados por mim, por minha fome de descoberta, de respostas, de gente-gente.
Eu só estava olhando para o lado errado.
Agora ela não é mais dúvida, é resposta, é certeza, é um lema inscrito na geografia do meu caminho. Com ela, eu tratarei todos que me quiserem por perto. Por ela, reencontrei o equilíbrio quando tudo parecia insano e perdido. Para ela, eu acordo bem disposta, danço na frente do espelho, faço planos mil, aceito que sábado é uma ilusão, mas mesmo assim fico mais feliz nele que nos outros dias. Eu existo e procuro evoluir – ao passo que percebo e corrijo minhas imperfeições.
Leveza. Até seu som é gostoso de dizer. Atravessa os dentes com sutileza e chega aos ouvidos com delicadeza. Leveza, leveza, agora tu és uma tatuagem interna. Com o tempo vou compreender a profundidade do seu traço. Tenha paciência. Tô aprendendo a viver.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Eu escrevo pra me esvaziar
Eu escrevo para me esvaziar de mim. Mas há tempos não faço essa limpeza em minhas gavetas internas. As mágoas, as decepções, os vazios, os silêncios e as reflexões já me tomaram por inteiro. Não há mais espaço para novas brigas, palavras mortas ou ofensas. E o que é a vida sem elas? Um grande nada. Um livro sem dor, mas também - sem aprendizado.
Preciso desocupar cada canto para que eu possa lotá-las, novamente. E espero – que dessa vez – sejam APENAS experiências inéditas e únicas. Sinto certa frustração ao perceber que certas brigas se repetiram tanto que se tornaram clichês, assim como o perdão. Que algumas despedidas não deveriam doer tanto. Afinal, são as mesmas de ontem e de anteontem. Talvez seja o tempo agindo – silencioso e sereno - a cada girar dos ponteiros, apressados.
Sinto-me esvaziar a cada palavra que coloco aqui, nesse desabafo sincero para quem – agora – doa parte do tempo para ver o que há em minhas gavetas. Já não há muita coisa. Estou pronta para outras convenções da vida, para quinas que me exigirão [muita] paciência, para rachaduras que não se consertarão, nem com todo meu esforço e esmero. Vale insistir? Não sei. Isso apenas os dias dirão.
Fugi da redoma por acreditar que assim estava limitando o meu mundo, meu ‘crescer’. Estava certa. Se ainda estivesse lá, protegida e distante, eu me resguardaria de muitas dores de existir. Não levaria tantos nãos, não teria que lidar com indiferença. E...não evoluiria. Por isso - prefiro ficar aqui, do lado de fora. É aqui que aprendo a virar páginas, quando necessário; a marcar as que me são favoritas – por admiração e afeto; a insistir com aquelas que parecem merecedoras de grifo; e principalmente – ser página virada.
Agora me sinto melhor ao ver que sobra espaço e ansiedade, que esse exorcismo vale mais que 1 sessão com um terapeuta carrancudo, que tudo possui uma simplicidade intrínseca – basta apenas parar para olhar, para admirar o contexto – fora dele.
As gavetas estão abertas à espera do novo. Não daquele que deleta com um carinho, mas que me faça entender com um tapa, um choro - o que de fato – essa complexa rede chamada vida me reserva a cada novo pulsar.
Agora me sinto melhor ao ver que sobra espaço e ansiedade, que esse exorcismo vale mais que 1 sessão com um terapeuta carrancudo, que tudo possui uma simplicidade intrínseca – basta apenas parar para olhar, para admirar o contexto – fora dele.
As gavetas estão abertas à espera do novo. Não daquele que deleta com um carinho, mas que me faça entender com um tapa, um choro - o que de fato – essa complexa rede chamada vida me reserva a cada novo pulsar.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Um alento chamado Alicia Keys
Certo dia, após chegar do trabalho e me deparar com a falta de inspiração para um frela – comecei a buscar algo novo no youtube. Algo que abrisse minha mente; minimizasse minha ansiedade e me proporcionasse aquele estalo [insight]. Então resolvi clicar nos vídeos recomendados – dentre eles, adivinhem só: ‘Empire State Of Mind’, da Alicia Keys Feat Jay Z.
Pronto! Pensei. Havia – finalmente – sido apresentada a ela. Depois de ouvir ‘Empire’ eu não consegui ouvir outra coisa. Ela ficou rodando em looping no meu note e na minha cabeça. Em menos de 5 minutos já tinha baixado dois álbuns dela: ‘As I Am’ e ‘Girl On Fire’ [novo].
Sinceramente - me arrependi de não ter parado para escutá-la antes. Afinal, tive várias oportunidades e indicações de amigos e colegas de trabalho. Mas, eu teimosa que só vendo – dizia internamente – nãnãninanão. Não tinha [nenhuma] noção do que estava perdendo. Agora eu sei e tiro uma lição disso. Nada de ideias preconcebidas antes de conhecer – seja lá o que for: música, livro, filme, série, cliente, job, tribo, pessoa...
Então o inevitável aconteceu. Rendi-me à sua música com curiosidade e admiração. Queria saber mais sobre sua história, suas inspirações, seus erros e claro – os medos e dores que transformou em versos e notas - para denotar com sua voz e piano.
Hoje, ela faz parte da minha trilha diária. É um alento que me ajuda a acompanhar os apressados ponteiros do relógio no caminho para o trabalho; os apressados pés pelas vias da selva de pedra na volta para casa. É inspiração e paz contínua.
Recomendo!
Recomendo!
terça-feira, 21 de maio de 2013
Eu viro as páginas, também sou página virada
Hoje, eu peço licença a mim mesma para postar aqui um texto que não é meu. Um texto de Fernando Pessoa que recebi de uma grande amiga. Ele veio em uma boa hora. Hora de virar as páginas, de ser página virada, de encerrar ciclos e aceitar finais - por mais tristes e inexplicáveis que eles pareçam. Faço dessa crônica evolutiva as minhas palavras. Inspire-se ;)
"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu…
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora…
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos."
Fernando Pessoa
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- Juliana Talala
- São Paulo, SP, Brazil
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